sábado, 21 de agosto de 2010

Pares

Que nossa paz seja íntegra, que nos mova, mas não nos altere. Que inveje a euforia, no canto mais absoluto e majestoso do silêncio. Que a paz que nos persegue, nos encante, nos eleve, nos fascine. E que mesmo com a paz que não temos, seja um paradoxo pôr aqui a vivência que criamos. Porque nem toda paz é santa, e nem toda guerra é injusta. Nem todo canto é morto, nem toda voz soluça. E crendo-se imóvel, balançamos o tumúlto, retorcemos outros membros, divulgamos mais insultos. Porque nem toda luz é fogo, e nem tudo que reluz, reflete. E quando a perda for escrava da tristeza, nossa paz trará vida, transformar-se-á beleza. Porque nem toda paz acalma e nem todo santo ajuda. E quando trouxermos carente o pranto, lembremos da vida, da paz, do monte. E se ainda no monte, o pranto lhe acalentar, lembre-se que a paz está nos escombros, nas árvores, no ar. E nesse canto, por fim, em paz, estejamos. Muito além dos desencontros.


Por: Ana Paula Morais

2 comentários:

  1. "E se ainda no monte, o pranto lhe acalentar, lembre-se que a paz está nos escombros, nas árvores, no ar. E nesse canto, por fim, em paz, estejamos. Muito além dos desencontros." o/

    Indo muito além do óbvio, estou gostando, mulher de alma intensa... ; )

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  2. Muuuito massa esse texto! bem lá do fundo mesmo!

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Um beijo pelos dedos que aqui escrevem, um Queijo pelo suspiro aqui postado.