terça-feira, 29 de maio de 2012

A velha roupa morna

Estava terminando o último gole do jantar, quando senti o sabor salgado chegando à boca. Ainda bem que o café ainda estava quente pra não quebrar o açúcar com o sal. É estranho estar sozinha à mesa. Estou acostumada com palavras saltando aos ouvidos, conversas batidas do cotidiano, risos e falações dos vizinhos. Mas hoje preferi estar sozinha, porém acompanhada de mim, que já estava falando o bastante. Lembrei das épocas da faculdade, dos risos incontáveis com os amigos, das aulas perdidas, hoje lamentadas, dos choros contidos pelo corredor... Imaginei como se cada ato tivesse mudado, nem que fosse um segundo atrasado, poderia ter ao menos me privado de ver as coisas que eu vi, ou de sentir aquelas que presenciei.

 [...]


Mas acabou o café pra continuar a história, a noite fria me aperta o peito, sinto falta de tudo que vivi e sonhei, das chatices que criei e matei. Hoje, queria ao menos largar um sorrisinho de canto, tímido, mas os dentes cerrados me calam a boca. Mas o choro se espalha e molha a roupa.
 Por Ana Paula Morais



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