"E não maltrate muito a arruda, se lhe nçao cheira a rosas..."

domingo, 13 de março de 2011

I don't want

Eu não quero ser a mulher perfeita!
A mulher perfeita é idealizada, almejada, desejada, querida e modelo perfeito para qualquer homem que queira ser feliz e bem sucedido na vida. Ela discute assuntos importantes,  trava questionamentos, causa orgulho em estar colado a sua mão. A mulher perfeita é a ironia de todo homem e a não concretização de um sonho. Prefiro ser a mulher real, que apesar de bonita e inteligente, não traz consigo o pensamento de vários homens em querê-la. Não quero mais o pensar, desejar, almejar ser o perfil de um relacionamento perfeito. Quero ser a minha realidade insana e concretizada, mesmo que para isso eu continue sozinha. Melhor ser "comum" do que carregar o peso de ser a mulher apenas "desejo", perfeita para se relacionar, mas que carrega e sempre carregará, o "mas" como carma da solidão. Quero a mim impura. Porque a pureza de já me cansou de sentimentos vãos.
Por: Ana Paula Morais

sábado, 12 de março de 2011

.

Não se digere amor, não se cospe amor, amor é o engasgo que a gente disfarça sorrindo de dor. Aceito sua consideração de carinho no topo da minha cabeça, seu dedilhar de dedos nos meus ombros, seu tchauzinho do bem partindo para algo que não me leva junto e nunca mais levará, seu beijinho profundo de
 perdão pela falta de profundidade. Aceito apenas porque toda a lama, toda a raiva, todo o nojo e toda a indignação se calam para ver você passar.

Tati Bernardi

domingo, 6 de março de 2011

vitae

A gente vai vivendo assim... 
Com um pouco de sal e sazon, ou sem sal, nem cor. 
A gente vai vivendo assim... 
Com roupa e pudor, ou corpo nu em frenesi.
A gente vai vivendo assim... 
Como quem cala e não consente, como quem não fala pra não mostrar os dentes.
A gente vai vivendo assim... 
Com amor e sofrimento ou sem amor por um momento.
A gente vai vivendo assim... 
Sem falar, nem aquecer ou querer e não fazer.
A gente vai vivendo assim... 
dedos, mãos e sombra, ou sem corpo, nem musculos que o sustentem.
E a gente vai vivendo assim...
e assim, se não pior, 
a gente morre também.

Por Ana Paula Morais

sábado, 5 de março de 2011

Nua

Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
– Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!

Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.

Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
– Mais abaixo, meu bem! – num frenesi.

No seu ventre pousei a minha boca,
– Mais abaixo, meu bem! – disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci....

Olavo Bilac

terça-feira, 1 de março de 2011

"que seja como um casulo...

... e que se encha de beleza". E foi tanta a certeza que me causou e abalou aqui esse coração, quebrou um gelo de medo em jogar tudo pro ar e deixar acontecer. Que tempo de amor, o nosso! Não sinto falta das poucas vezes que saimos juntos noite afora, nem das pessoas querendo saber de nós, nem dos pés cansados e sujos... Sinto falta das noites que ia dormir tarde pra arrumar a bolsa pra no outro dia logo cedo ir te ver, sinto falta do  seu cheiro quando acorda, sinto falta da sua voz rouca querendo dormir, sinto falta das uvas e biscoitos na praia, sinto falta da chuva caindo e nos molhando, sinto falta dos riscos na areia com nosso nome (e a gente já vinha rindo do casal que fazia isso, apaixonado...) e como você me fazia sentir bem, com todas as nossas diferenças e conversas longas... É com a mesma certeza que sei que se isso tiver de voltar, minha blusa estará aberta e meu coração, mais uma vez, te entregarei nas mãos...


Por: Ana Paula Morais

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A gente muda

A gente muda um carinho, 
muda um sorriso,
reparte um riso,
quebra uma unha,
engole o cuspe,
vira a saia
e
dorme de perna fechada.
Só pra ver o amor ficar,
só pra ver o amor escorrer .


Por: Ana Paula Morais

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

que a mim cabe, uma saudade...

George diz:
Sofro de amor, Ana.
E morro de solidão.
Cada esquina me asseguro
de que não perco minha paixão, na curva.
Em cada olhar me encontro em indiferenças e perco em vaguidão.
Você sabe que doença é essa?
Dizem que chama-se Viver.
Outros dizem que "Raro é viver, muitos saberão apenas existir"
e você? Diagnóstico? Prognóstico?
Risos... talvez você esteja tão ou mais perdido que eu... mas em algo você é coerente... o silêncio seria a melhor de suas respostas.



A . diz:
Engana-se
estava a me deliciar com seus espantos.
Sofremos de amor, como todo tolo romântico,
e nos embriagamos por sermos tolos e rirmos dos outros.
nadar, simplesmente por areias e remar,
sem sentimentos, culpa, ou solidão.
mas como não caber em mim os sentimentos?
se a cada passo esbanjo euforia, um lamento.
siga.
há quem diga que seguir é viver
há quem morra para poder existir.
diagnóstico?
paguei a conta e fui embora, meu bem.

George diz:
: )
nunca houve conta, pq vc nada devia

A . diz:
nunca se sabe dos prazeres da carne.

George diz:
verdade
nunca.

Um brinde às conversas de msn, por George Diniz e Ana Paula (09/02/2011)

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Eu pensei..
Que quando eu morrer
vou acordar para o tempo
e para o tempo parar:
Um século, um mês,
três vidas e mais
um passo pra trás?
Por que será?
... Vou pensar.

[Los Hermanos]


Assim e sendo...

como os passos que me seguem,
como o breu que me envolve,
como a luz que me preenche,
como o caos que me deleita,
como o avulso que me olha,
como a cruz que me carrega,
como o rastro que me escreve,
como o fogo que me sustenta,
como o beijo que me molha,



como o corpo que me seduz,
como o alívio que me devora,
como o líquido que me sangra,
como a voz que me soa,
como os dedos que me passeiam,
como a vida que se desfaz,
como o parodoxo deste feito,
eu vou seguindo até nunca
e mais.

Por: Ana Paula Morais