"E não maltrate muito a arruda, se lhe nçao cheira a rosas..."
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Proteção Divina
Enclausurada, partiu a alma para não incomodar,
fez pirraça, dançou de graça, não quis voltar.
Levou a razão, deixando a vida e coração,
em prantos miúdos, surgiu no mundo
como quem é filho da criação.
Por que a tormenta, em tal amada ilusão?
Se passo contente, feliz e carente,
cada sentida ingratidão!
Leve-me em suspiros, mas deixe meu corpo e pés no chão,
tão meio sorriso, não esta pronto para essa paixão.
Eu sei da vida e dos contos sanados em reflexão,
mas meu coração menina, confuso vivia
na palma da tua mão.
Surjo e esmoreço a cada palavra tua,
menina mulher, com o ventre em chamas,
só clama ternura.
Partirei inflando, na certeza de teu ser,
abrir meus caminhos para me proteger.
Abençoe minha vida, pés e mãos,
que mais longe encontrarei
o caminho do teu coração.
Por: Ana Paula Morais
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Quase um sonho
Lavada as mãos, carinhosamente toquei o rosto. Aquela face doce me inspirava a instigar sorrisos pela praça. Prendi o cabelo com um laço amarelo, dei duas voltas fazendo um rabo de cavalo. Nunca gostei muito de amarrações tradicionais com rabicós coloridos, vendidos aos montes. Gosto dos tecidos simples, que dão cor e graça a quem decide usar. Meu vestido rodado tem lá suas armações. A meiguice contida na face dá lugar à outra imagem entre as pernas.
Pisei leve na calçada por conta do cimento fresco. Fui até a rua seguinte, sentindo o vento levantar os babados do vestido. Imaginei-me às margens de um rio, molhando os dedos e as pernas, o vento frio do fim de tarde. A água percorrendo o corpo macio, cheirando a pêssego. O perfume acarinhando o rio, como uma leve brisa na superfície, criando uma proteção entre o sonho e a natureza.
- Ó, Mestre, que me negas nesse dia deixando-me afogar nestas águas?
Sinto um carinho leve nos cabelos, como um aconhego de um bem amado. Acordei atordoada com a água lambendo-me o corpo.
Por Ana Paula Morais
terça-feira, 21 de agosto de 2012
Resolvi
Resolvi me vingar,
dos frutos perdidos em pleno verão,
das águas perdidas caindo da mão,
do mundo partido, já sem coração.
Resolvi encarar,
as vistas amargas lançadas ao ar,
os erros singelos em querer amar,
a gota de sal cortando o olhar.
Resolvi recordar,
os abraços contidos ainda na infância,
as quedas sofridas sem olhar de vingança,
os sorrisos sinceros entre duas crianças.
Resolvi me vestir,
das linhas cruzadas num aperto de mão
abrir espaço ao amor, alegria e perdão,
festejar todo bem causado ao coração.
Por Ana Paula Morais
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Assim que te quero
É assim que te quero, amor,
assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a água
da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada,
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde
vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luz
e sombra és.
Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feita de luz e pão e sombra, eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nosso lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro.
assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a água
da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada,
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde
vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luz
e sombra és.
Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feita de luz e pão e sombra, eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nosso lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro.
Pablo Neruda
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Mudança de nome do blog
Olá, caros amigos leitores que viajam comigo no ramo poético e acompanham minhas insanidades aqui escritas. Venho informar a vocês a mudança de nome do meu blog. O blog se chamava capitulandoideias.blogspot.com.br e agora se chama amorfinando.blogspot.com.br. Isso se deve a alguns motivos que quero relatar para vocês.
Quando resolvi fazer o blog em 2010, queria que ele tivesse como registro o nome Capitu, remetendo à Capitu de Machado de Assis, como uma mulher sedutora e dissimulada, sendo neste caso, referida às palavras. Como já havia um blog com este nome, saí criando variações que chegou a capitulando = (dissimulando, captando) + ideias = capitulandoideias.
O título do blog A [mor] fina, veio da junção de duas palavras: Amor e Morfina.
Amor
no sentido real da palavra como um sentimento múltiplo de desejos e
plenitude,
maior motivador poético dos poetas. E a Morfina que é uma droga usada
para combater a dor. Como inegavelmente o Amor está ligado a dor e que
estes convivem em harmonia, achei por mérito deixá-los como sendo o
título.
Com nome e título do Blog concluídos, eu gostei dos nomes. Achei-os criativos. Porém, o nome do blog capitulandoideias.blogspot.com.br gerou e vem gerando certa dificuldade entre as pessoas em gravar o nome, fazendo com que venham a mim novamente perguntar o nome do mesmo. Mesmo tendo percebido isso a um tempo, resolvi deixar o nome pois contiuava achando-o único e diferente.
Esses dias, enquanto dava uma repaginada no blog, resolvi tirar algumas coisas, colocar outras e resolvi repensar o nome do blog. Então me veio à mente colocar o mesmo nome do título que ele tem: A [mor] fina. Então, ficou amorfinando.blogspot.com.br que seria amorfinando, curando a dor com amor.
Achei que ficou mais leve, deu mais sentido ao blog. Acredito que facilite mais a vocês queridos e amados leitores. Espero que vocês tenham curtido, que gravem e me visitem sempre. Meus delírios são alimentados pelos seus. Venham e voltem quando quiserem.
Amorfinem comigo!
Que poeta eu sou?
O desejo de escrever muito sobre algo às vezes é sanado pelos nossos sentimentos. É como se ficassem inertes e gritando à mente tão forte que não nos permite transpor em letras. É como uma moeda, ou sente, ou escreve. Mas que pecado maior não poder exprimir, compartilhar em versos os desejos ocultos da alma, do corpo e do coração. É como um gozo único, sentido e guardado no íntimo dos pensamentos. Eu quero escrever e isso a mim não me basta. Eu sinto, enlouqueço e isso a mim não me basta. Existirá uma certa dosagem para escrever? Sentir até certo ponto porque se aumentar a sede, o desejo vira miragem? Ah, mas que desconforto o meu em querer falar um pouco das tantas vozes que me acompanham durante o dia, e desanimada, enfim, calar a emoção. Que tipo de poeta eu sou se minha mente seleciona os fatos, de modo egoísta, guardando em chaves os meus sentimentos? Perdão pelas vezes que me desconheci e a ti omiti tamanho desejo de gritar as paixões, os delírios, as faltas. É que meu coração instável, quanto mais se programa, mais dorme na cama.
sábado, 7 de julho de 2012
O erro
O erro é como um risco fora da linha,
as vezes apagado, ainda fica o rastro,
mas no fim do texto, nem será lembrado.
É como trocar o ch pelo x,
falar bonito num recinto,
pra que ninguém torça o nariz.
Pode vir num buraco da blusa,
que a linha e agulha costuram,
e no fim das contas, não importa
porque todo mundo a usa.
porque todo mundo a usa.
Conhecer o erro é exatamente preciso,
pra traçar um novo caminho,
e desenhar um novo riso.
Se com o erro não se aprende,
e os acertos são em vão,
é que nem sempre se entende,
o valor de um perdão.
Por Ana Paula Morais
segunda-feira, 2 de julho de 2012
"Um nome pra o que sou? Importa muito pouco. Importa o que eu gostaria
de ser. Não, não sou russa. Eu sou brasileira. Muitas pessoas pensam que
eu falo dessa maneira por conta de um sotaque russo, mas é que eu tenho
a língua presa. Há possibilidade de cortar, mas meu médico disse que
dói muito."
Lispector
Lispector
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