quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Quase um sonho

Lavada as mãos, carinhosamente toquei o rosto. Aquela face doce me inspirava a instigar sorrisos pela praça. Prendi o cabelo com um laço amarelo, dei duas voltas fazendo um rabo de cavalo. Nunca gostei muito de amarrações tradicionais com rabicós coloridos, vendidos aos montes. Gosto dos tecidos simples, que dão cor e graça a quem decide usar. Meu vestido rodado tem lá suas armações. A meiguice contida na face dá lugar à outra imagem entre as pernas.

Pisei leve na calçada por conta do cimento fresco. Fui até a rua seguinte, sentindo o vento levantar os babados do vestido. Imaginei-me às margens de um rio, molhando os dedos e as pernas, o vento frio do fim de tarde. A água percorrendo o corpo macio, cheirando a pêssego. O perfume acarinhando o rio, como uma leve brisa na superfície, criando uma proteção entre o sonho e a natureza. 

- Ó, Mestre, que me negas nesse dia deixando-me afogar nestas águas? 

Sinto um carinho leve nos cabelos, como um aconhego de um bem amado. Acordei atordoada com a água lambendo-me o corpo.  

Por Ana Paula Morais


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