sábado, 30 de outubro de 2010

O tempo

Um desespero necessário. 
Pretensão da compreensão. 
Inteligência da realidade. 
Estimulador de ações. 
Instrumento da mente. 
Agonia do romântico. 
Entendimento dos sensatos. 
Provocador do mundo. 
Menu para criatividade. 
Modelador dos poetas.
Casulo da renovação.
Embriaguez da pressa.
E imensamente destrutivo
e real em seus paradoxos.


Por: Ana Paula Morais


São os vícios...

que acabam por fazer parte de uma parcela insistente e, às vezes, inocente. É como se o amargo completasse o doce e novamente provamos o doce porque já não salivamos o amargo. E isso acontece com os passos que damos à cada esquina dobrada para ver a árvore caída. Acontece nas mesmices que teimamos em repetir, somente para ver a cor mudar e tornar a sua inicial. São vícios que nos prendem, escravizam-nos, purificam-nos. São vontades incompreensíveis entre o bem e o mau. Entre o que faz bem e o que faz mau. Mas de fato, os vícios são perturbadores, pois servem para justificar nossas falhas, angústias, incertezas. Mas como saber se o que me vicia já não me surpreende? Sensibilidade. Essa é a palavra. Sensibilidade para saber o que fim que damos as coisas, os caminhos pelos quais elas desdobram, as alternativas que se camuflam na cegueira do vício. Mas não estou por condenar o vício. Se não fosse bom não os desejaríamos. Apenas não tornemos hábitos em desregramento. Pois é preciso equilíbrio no que se quer. Equilibrar-se é a ação contrária do vício e necessária à vida, à lida, ao caminho. Porque é melhor o horizonte do equilíbrio do que a queda do vício.

Por: Ana Paula Morais





terça-feira, 26 de outubro de 2010

A amizade


O carinho, o afago, o sentir-se querido e abraçado são laços do que construímos, crescemos, modificamos e nos formamos com quem percebemos amigo. É preciso um feitio gostoso de se sentir, mesmo que na ausência reclamemos a atenção, mas guardamos consigo, cada traço do amigo lembrado. E é nesse espaço que amamos, e suspiramos em saber que, amizade é sentir o outro em nós, pensar o outro, amar o outro. E cada colheita feita é motivo de alegria, de lágrimas, de preces mil vezes dita e abençoada. Feliz daquele que sabe a pureza de ser amigo e de fazer feliz quem tanto nos acalenta, quem tanto nos preserva. 

Por: Ana Paula Morais




Aos meus amigos, um abraço de riqueza, pois são vocês que me deixam viva dia após dia.

é tão forte quanto o vento quando sopra
tronco forte que não quebra, não entorta
podes crer, podes crer,
eu tô falando de amizade ♪

sábado, 23 de outubro de 2010

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

E quando...

tocares o silêncio irás perceber, que avançamos antes de caminhar, caminhamos sem ter onde pisar, e ficamos parados, inertes, já sem sombra. É preciso descobrir que coisas mil vezes dita não se aplica. As coisas são ideias, luzes, retratos. De tanto dizer, não mais ouvimos, e as vezes é só preciso educar para ouvir, sentir para viver. Esquecer para lembrar.
  

Por: Ana Paula Morais


Levemos a vida devagar...
pra não faltar amor.

Ouse


despir-se
criar-se
olhar-se
teimar-se
perder-se
achar-se
ouvir-se
silenciar-se
querer-se
amar-se, antes.


Por: Ana Paula Morais



Pois se não chega a morte
ou coisa parecida,
e nos arrasta, moço, sem ter visto 
a vida ♪

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Das intensidades


As grandes dores fazem com que as menores mal sejam sentidas e, 
na falta das grandes, 

até o menor desgosto nos atormenta.

Irvin D. Yalom, A Cura de Schopenhauer

domingo, 17 de outubro de 2010

Imagine

Os passos leves,
contidos nesta valsa.

Os sussurros mal ditos,
e por vezes maldito.

Os tremas que pudesse,
retirar e manter a rima.

Os lábios quentes,
banhando-me o ventre.

Nossos corpos unidos,
caídos, sem vestes.

Um pedido de resgate,
que você soltou-me os dedos.

Meu beijo agora,
e seu cheiro em mim.

Por: Ana Paula Morais

Faltou o ar...

Eu só queria
que
você 

reparasse,
olhasse,
sentisse,
que 
toda
essa solidão,
vem
dos 
beijos
que
guardo
aqui, 



na palma
da
mão.


"Me despeço dessa história
E concluo: a gente segue a direção
Que o nosso próprio coração mandar,
E foi pra lá, e foi pra lá."

Tiê
por: Ana Paula Morais

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Passarás

Então o amor vem, te completa em tantos momentos, te deixa cativante, radiante, te goza, te sente, te venera, te escolhe... De repente, o amor cansa e vai embora. E como entender isso? São pensamentos, situações novas, pessoas novas, conflitos novos, conceitos mortos... Mas a gente insiste porque sabe que se é recíproco, vale a pena lutar, correr, voar... Mas não. Não devemos. Se existe a reciprocidade, muito pelo contrário, a luta é desnecessária. Mas mesmo assim, pensamos, queremos ver até onde chegamos. Tentar: essa é a palavra mil vezes dita por todos que amam. Não, meus caros. Quando existe amor não se tenta, o amor por si só nos sustenta, nos deixa livre para amar. E continuamos a nos declarar, a querer mostrar... Erro. Se é o amor que nos sustenta, não necessitamos declarar, mostrar, o amor por si só efetua essa compreensão. Então, se estamos a tentar, a lutar, a querer, a declarar, a mostrar... Não nos enganemos, são simplesmente resquícios de um amor não mais recíproco. Sigamos, pois, a Vida.

Por: Ana Paula Morais


sábado, 9 de outubro de 2010



Eu tenho pena da Lua!
Tanta pena, coitadinha,
Quando tão branca, na rua
A vejo chorar sozinha!...


As rosas nas alamedas,
E os lilases cor da neve
Confidenciam de leve
E lembram arfar de sedas


Só a triste, coitadinha...
Tão triste na minha rua
Lá anda a chorar sozinha ...


Eu chego então à janela:
E fico a olhar para a lua...
E fico a chorar com ela! ...

Florbela Espanca


quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Olhos que se entregam, ilegais...

Eu simplesmente não entendo como tal sentimento pode me suprir tanto e me matar ao mesmo tempo,
são dedos em outros dedos, salivas em outras línguas,
íris em outro corpo...
E eu aqui definhando,
esperando um sim ou nunca mais.

Por: Ana Paula Morais

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Comemoremos...

Ao artigo escrito por mim, Ana Paula Morais da Silva e Jalon Nunes de Farias intitulado Seguindo os Passos de Graciliano Ramos em Caetés, publicado na Revista Raido.
O artigo teve por objetivo percorrer a cidade de Palmeira dos Índios tendo por base o livro Caetés de Graciliano Ramos refazendo os passos do escritor e traçando olhares através da lembrança da cidade e de suas modificações.

Segue o link para leitura:

http://www.periodicos.ufgd.edu.br/index.php/Raido/article/view/588

sábado, 2 de outubro de 2010

Dessa Vez...

Vou andar descalça por sobre os escombros,
Vou levar meus beijos mais sinceros,
Entregar-me a luz dos teus olhos,
Colocar em teu peito meu calor,
Elevar nossas preces ao céu.
E eternizar por todos os momentos,
O nosso amor,
A nossa falha,
A nossa história.



Venha, amor, derramar-se em meus braços!


Por: Ana Paula Morais