terça-feira, 31 de agosto de 2010

Poema

O que dizer quando os pés não sentem mais os calos de sempre,
quando o que perdemos é na verdade o que não tivemos,
quando o que somos é na verdade o que não achamos ser,
quando os segundos só resolvem apressar a morte,
quando você mesmo está findando sua vida,
em lágrimas, injúrias, penúrias...

Por: Ana Paula Morais


Ao som de Poema - Cazuza
 e com os mesmo sentimentos que vivi outrora. Hoje, por hora, definhando.




segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Exercite a introspecção!

Exatamente por estar nesse momento é que a todos recomendo. 

Pensamentos... Pensamentos...

E ando meio descontente, desesperadamente grito em português

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A [mor] fina...

Justamente em sua complexidade, o verbo "amar" se utiliza de si próprio para render definições, variações [des]apropriadas para os ouvidos inertes nessa ideologia. Mas é nessa nossa  pertinência em querer definir, que esquecemos que o mais belos dos sentimentos é, com a licença da palavra, "pronome" indefinido, invariável e totalmente aplicável a qualquer ser humano que se permita conhecê-lo. A incessante busca nossa em conhecer, experimentar, gozar dos sabores e defini-los após a degustação nos tira o gosto da sensibilidade em viver, aprender, apreender, reproduzir e mostrar-se capaz de "amar"-se e "amar" a outrem. É neste sentido que nos perdemos. Esquecemos que "amar" pressupõe leveza, empatia e reciprocidade. Costumamos idealizar e denominar tudo a nossa volta, e o pouco que não corresponde a isto, vira hipocrisia, falsidade, ilusão. Não nos enganemos, pois. Porque o amor é absolutamente e tão somente algo que nós, em nosso íntimo, aprendemos a reconhecer e entender, e portanto, indefinir. Se nós o definirmos, estaremos o limitando em nosso espaço, e o amor, o Amor, meus caros, esse percorre todas as nossas arestas, nos mais diversos espaços. E sendo assim, o amor se finda, por não sermos capazes de efetuar essa compreensão. Matem o Amor! Mas se permita ao menos, conhecê-lo.

Por: Ana Paula Morais

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Conto Virtual

Conto construído em 30/07/2010 após simples inclinações e disposições de duas pessoas na internet. Disposição, viagens e palavras estão presentes. E nada melhor que partir da luta pela conservação do romantismo.

Ana Paula Morais da Silva - Glória
George Diniz Teixeira - Luiz

Intitulei: Acordando sentimentos

Glória: Mas o que de fato queremos expor nas overdoses do pensamento? Se cada louco distribui em partes os pingos que sobraram na noite passada? - Não me devolva as perguntas se elas mesmas não te compõem.
Luiz: Pensamento? São meus lamentos. Mas acertastes numa coisa, sou composto de Dúvida, e bem que gostaria de devolvê-las em perguntas, mas o que procuro jamais encontrarás. E pudesse, elaboraria-te em letras, versos e prosas, só para degustar-te na minha boca...
Glória: E por vezes não estaria trazendo a mim tuas dúvidas, como saber se as tuas me pertencem se não me falas dos desejos, das vozes, das palavras? - Glória remete a Luiz com um olhar inquietante.
Luiz: E a ousadia é tamanha, que já não me perguntas como desejaria chamar-me. Mas me chamas. E me chama tão inquietamente, que minhas dúvidas dissipam-se em desejos incontidos; que posso fazer? Meus desejos não são dúvidas, Glorificante glória... se tu soubesses que teu nome já me incita à perdição, saberias que minhas dúvidas são tuas certezas. Por acaso saberia ela de suas próprias certezas?
Glória: Ah se a glória que me compreende pudesse repousar em suas certezas, estaria ela sim, preenchida de cores, imagens, sentidos... E são teus olhos, Luiz que pertubam minha face, tornando-me semeadora de questões. Por acaso haveria em ti desejos ainda mais pertubadores que estes? 
Luiz: Glória intangível, loucura de todo homem, cegueira que dá n'álma, não saberia o que me perturba, saberia? E, em meio às suas lcubrações, num átimo de pensamento, imaginou ele que poderia, de alguma maneira, ligado à Glória e esta à ele; Sem explicações, não adiantaria... melhor sentir o que no fundo lhe vai dentro, e exprimir o inexprimível à sua glória, que ela dê sentido às suas angustias.
Glória: Mas que loucura tua caberia em mim? Não sabes o que está a flutuar aqui nestes pensamentos, Luiz. Saberia repor todas suas expressões e faria das minhas angústias seus flertes de prazer. Mas não estou comigo sozinha, no momento, carrego outra Glória e esta palpita por intensidade, ludibriações, vertigens... Estaria até nesse segundo, imaginando sua íris e como ela cobriria meu corpo se ao menos em mim, repousasse ainda mais teus olhos.
Luiz: Louca! Louca!
Estás a me ouvir, Glória? Estás a me ouvir? Escute o inaudito, que no meu peito pesa; sorva toda o meu sangue, que pulsa, desenfreadamente, em loucas esperanças de fazer-te me ouvir. Então, saberás que não há loucura maior, que àquela desorientada visão que não te alcança; que absurdo da compreensão seria maior que àquele que de ti não sabe, muito menos se esforça a saber? Antes era possuído pela dúvida, Glória, agora desejo-te sem qualquer possibilidade de desventura; não te desejar é um absurdo só pertinente à linguagem.
Glória: Quantas verdades, caro Luiz, e mesmo sem saber dos absurdos que nos compomos, sinto nossos símbolos formando nossas mentes, por vezes profana. São fases que mostram-me os surtos dos teus pensamentos. Fases de apontar, percorrer e afundar-se em meus declínios, delírios, caminhos... Permita-me dizer que não consigo mais te ver, percebo somente tuas feições, pois você retirou para si, uma janela, deixando cá posto, uma questão, um silêncio, um desejo. Luiz, Luiz! Quanta precisão em fazer-me contar, dos bens, os menores, dos desejos, os mais intrusos. 
Luiz: Maldade sua, Glória. Maldade sua. Depois do esforço por à ti ligar-me; depois de insistir para que me sinta. Agora faz dos meus desejos "os mais intrusos", dos meus bens "os menores", sabendo que nada possuo. Sofro da incurável doença que é o amor, que me confunde, quando o mar é calmaria; me atormenta, quando amar é em si a própria tormenta; me alucina diante da impossibilidade do possível; me atordoa, pois careço ser amado. Antes, como disse, eram dúvidas, agora passo a crer nas minhas palavras... começo a acreditar que o que falo nunca poderia deixar de ser verdade, e acreditar que o que conto, longe de ser um conto, é a mais pura verdade, quando meu mundo é uma fantasia. Amor? Palavra que não se explica. Amo sem condições, quando minha condição é amar sem restrições. Creia-me um homem sem cura, quando você é meu veneno e meu remédio.
Glória: Então, que o veneno sufoque e respingue grito, clamor, piedade, porque nesse momento levarei meu ventre e nele sim, encontrarás a fartura de recomeçar e o desejo de enfim, nos curar. Glória abaixa-se e pega uma pétala branca.
Luiz: A ânsia de pôr um fim, na certeza do infinito, é o instinto feminino em sua mais pura semente. Glória, que em sua mais profunda metáfora, se assemelha a uma rosa, cujo mais saboroso gozo, esconde a dor da angustiante existência.

domingo, 22 de agosto de 2010


"Mas o que quer dizer este poema? - perguntou-me alarmada a boa senhora.
E o que quer dizer uma nuvem? - respondi triunfante.
Uma nuvem - disse ela - umas vezes quer dizer chuva, outras vezes bom tempo..."
Mário Quintana



Pausa

Senhores amigos,

 hoje queria recomendar
versos que vem da pausa, da lira, do verbo amar.
Àquele que vai adiante,
avise-o ainda jovem pra continuar.
Se não jovem, o que restará do
verso... 
Acabar?

Por: Ana Paula Morais

sábado, 21 de agosto de 2010

Invenção

E de onde vem a poesia?
Se não das contas que fazemos da vida,
dos olhos tortos, do vento, da chuva.
Do pranto afobado, da alma refeita.
É que não se cobra o sentimento,
se vive a voz, o sim, o momento.
Acaso parecer o poeta um que nada mais é,
é porque não soube inventar,
mentir, forjar, aprimorar as palavras que a compõe.
E se acaso for de você perguntar
o que fazer da conotação que não viu,
volte ao começo e leia a palavra,
não meu coração.


Por: Ana Paula Morais

 

Sobre a Existência...

Por certo de que o ser humano percebe sua existência quando no outro se percebe ser existente, ao mesmo tempo que o outro também neste se reflete. Ser convicto de limitações que permitem ao outro que o perceba em outra dimensão, outro espaço. A formação individual depende de fatos, e estes por si só compreendem o indivíduo. E é nesta compreensão do "eu" como parte do "outro" num circuito lógico de bi-implicações, que o ser se manifesta, compõe-se e forma sua estrutura no meio social. E por mais instigante que isso pareça ser é porque ainda não o percebemos como verdade, ponto chave do existir. É provável que ponhamos limite ou ilimitemos as opções de existir, mas jamais teremos esse controle, por sermos voláteis, mutáveis e inconstantes. Percebo-me aqui. Eis o que sou. Eis a minha existência. 

Por: Ana Paula Morais

Edvard Munch, O grito

Pares

Que nossa paz seja íntegra, que nos mova, mas não nos altere. Que inveje a euforia, no canto mais absoluto e majestoso do silêncio. Que a paz que nos persegue, nos encante, nos eleve, nos fascine. E que mesmo com a paz que não temos, seja um paradoxo pôr aqui a vivência que criamos. Porque nem toda paz é santa, e nem toda guerra é injusta. Nem todo canto é morto, nem toda voz soluça. E crendo-se imóvel, balançamos o tumúlto, retorcemos outros membros, divulgamos mais insultos. Porque nem toda luz é fogo, e nem tudo que reluz, reflete. E quando a perda for escrava da tristeza, nossa paz trará vida, transformar-se-á beleza. Porque nem toda paz acalma e nem todo santo ajuda. E quando trouxermos carente o pranto, lembremos da vida, da paz, do monte. E se ainda no monte, o pranto lhe acalentar, lembre-se que a paz está nos escombros, nas árvores, no ar. E nesse canto, por fim, em paz, estejamos. Muito além dos desencontros.


Por: Ana Paula Morais