segunda-feira, 25 de julho de 2011

Trecho em filme

"O homem que tem uma lenda em vida é conduzido por sua lenda. Começa com ingenuidade, inocência e termina com embaraços de todo tipo. E para suprir o poder divino que lhe falta... livra-se dos embaraços por meio desesperados..."
Do filme Camille Claudel. 

sábado, 23 de julho de 2011

Monologando

Parei por uns instantes e encolhi os pés. Aquele frio que pensei não chegar as mãos, desceu ao calcanhar. Tentei me concentrar na minha mente, no que ela me questionava. Mas o próprio fato de tentar já borbulhava várias outras possibilidades de ocupar a mente com um possível não-pensar. Se é que é possível. Ao tempo que encolhia os pés, debruçava o pescoço sobre a cabeceira. Quis aproveitar o frio. Entreguei-me à melancolia extrema que só ele sabe afundar seus seguidores. Pensei em um café, mas se eu me distraisse por um instante perderia o gozo da tristeza. Sim, da tristeza. Porque toda melancolia carrega tristeza, mas nem toda tristeza carrega melancolia. A melancolia é um sentimento dócil e duradouro que arrasta discípulos, que os domina e tornam devotos. Mas não é que ela machuque. Pelo contrário, ela traz delírios e inspirações que nem mesmo o amor conseguiria alcançar exímia homenagem. Rápido! Papel e lápis. Preciso registrar esse engasgo. Não, não. É melhor deitar e engolir a saliva.

Por Ana Paula Morais


quarta-feira, 13 de julho de 2011

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Vamos fazer um filme?

- Um drama ou uma comédia?
- Um romance, respondeu Clarabela.
Luiza pôs-se a rabiscar mesmo com a caneta falha. Parou uns minutos com a caneta encostada no canto de boca e gritou:
- Não posso! - com a cara intrigada.
- Por quê? - perguntou Clarabela assustada.
- Histórias reais não podem virar romance. Simplesmente por correr o risco da mal interpretação. Amor não tem falsas interpretações. Amor só requer uma: aquela a qual se viveu, aquela a qual se amou.

Por Ana Paula Morais.