segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Afiada língua

Eu sou prazer em todo meu ser. Sinto gotejar salivas em cada canto escondido na derme. E eu não sei negar tal condição, se é essa condição que me deixa viva todos os dias. As vontades diárias são de gozos e fortunas de amor e criação. Quero mãos a me percorrer, sentidos a me guiar e  um corpo para repousar. Há quem diga que o diabo é o pai dos desejos, se acaso verdadeiro isso for, sou o diabo de mim, de minhas vontades, do meu amor. Sinto cócegas constantes e arrepios salivantes em meu cantar. Sinto a vulva a salpicar elásticos macios e divinos do ser. E que vergonha haverei de ter se instintivamente somos carne e confusão, vontades e coração? Vergonha eu teria se preciso fosse conter toda essa gritaria que acanho na nudez, calar todo sentido que em mim elevo a ti. Felizes mais seríamos se cada um fizesse de suas vergonhas mais contidas, dois corpos alargados e ludibriados ficarem vivos e mortos, em lâminas viscosas de posições variadas.


Por: Ana Paula Morais


2 comentários:

  1. O que será que causou tamanho sentimento de histeria em você nessa manhã de segunda? O texto foi tão incisivo que agora fiquei aqui a te imaginar concebendo-o.

    ResponderExcluir
  2. Simplesmente poesia; em ti(em mim; em muita gente) ainda repousa uma alma poeta...mas, encarnada num corpo humanizado demais; bom que ainda há uma voz que não pode gritar, mas pode falar a uns poucos navegantes modernos.

    ResponderExcluir

Um beijo pelos dedos que aqui escrevem, um Queijo pelo suspiro aqui postado.