segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Cinquenta tons de cinza e nada além disso

É certo que tive preconceito com essa série dos Cinquenta Tons de Cinza. Isso porque vi um trecho em um site da Revista Marie Claire, e achei muito batido, objetivo demais, além de infantil. Na hora, neguei qualquer vínculo com o livro. Mas, como ganhei de presente, tive que fazer as honras lendo o livro. Como diz, quem me presenteou: "Leia e critique com mais propriedade". Pois bem, aqui relatarei minhas constatações à primeira impressão do livro "Cinquenta Tons de Cinza"

Pra quem ainda não conhece, eis os detalhes:

Cinquenta Tons de Cinza (pt-Brasil) ou As Cinquenta Sombras de Grey (pt-Portugal) ou Fifty Shades of Grey (en) é um romance erótico bestseller da autora britânica Erika Leonard James publicado em 2011.
Os segundo e terceiro volumes são intitulado Cinquenta Tons Mais Escuros e Cinquenta Tons de Liberdade, respectivamente. Cinquenta Tons de Cinza está entre os mais vendido de uma trilogia que soma mais de 40 milhões de cópias em 37 países, ultrapassando o Harry Potter e o Código Da Vinci no Reino Unido.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cinquenta_Tons_de_Cinza

Bem, a história é de uma jovem de 21 anos, chamada Anastasia Steele, que está se formando em Literatura e que, após entrevistar Christian Grey , para um jornal da faculdade, se apaixona por ele. Christian então, mostra-lhe um mundo envolvido em sexo e submissão, em que Anastasia seria sua escrava sexual.

Nas primeiras páginas do livro, percebemos a acessibilidade da escrita para com os leitores. São termos ligeiramente corriqueiros, ratificando uma tradução pobre, mas bem objetiva. A história começa, e oscila entre algo muito ruim e algo tragável. Há momentos de risos? Sim, há. Porém, são esmagados pelos parágrafos alienados e personagens surreais dentro do livro. A personagem Anastasia mais parece uma jovem fora do mundo real e recheada de sonhos infantis. Nunca namorou, nunca se apaixonou e se apaixona por um homem rico e lindo. Nada diferente do que vemos nas novelas e estorinhas da TV. Além disso, é virgem, não tem celular, mas tem um fusca. Absurdamente uma personagem fora do contexto, para onde se passa a trama: Seatle. Christian Grey é um milionário, jovem, misterioso e atraente.

A personagem se descobre sexualmente com Christian. Ela aceita se submeter a práticas sexuais masoquistas, e, induzida por Christian, descobrir seu corpo e prazeres. Não irei fazer uma crítica aqui ao machismo contido no livro, visto que não foi essa a proposta do livro, penso, eu. As atitudes de Anastasia são tão ingênuas que acaba deixando a história morna, por vezes, patética, diante dos nossos pensamentos enquanto realizamos a leitura.

Mas, e o título do livro, a que se deve?
Bem... Essa é uma ótima pergunta. Mais uma coisa descoberta no livro sem qualquer ligação lógica com a história.

A leitura do livro é fácil. A história rende uns risos, mas não passa disso. Penso que toda a fama e venda exorbitante que o livro teve, deve-se a pouca literatura erótica escrita. Muitos são os paradigmas ainda a ser quebrados. A hipocrisia que guardamos frente a um mundo opressor é lançada ao vento quando nos deparamos com leituras como essa. Pra quem quer ajudar a se conhecer sexualmente, retornar à adolescência de uma maneira extremamente ingênua e passar o tempo, leia "Cinquenta Tons de Cinza". Mas para quem quer ir além da objetividade, tomar trechos como leituras de vida ou sentimentos e para quem preza um bom livro, espere ganhar o livro. Por via das dúvidas, não sairá do seu bolso, caso não goste.

Sei que não posso julgar fielmente uma trilogia baseada em um livro. Mas creio que nada de mais proveitoso estará escrito nos outros. Posso estar errada? Sim, claro. Então aguardo os dois seguintes.



Um comentário:

  1. Certamente não há razão em se criticar o conteúdo de uma obra sem tê-la lido, por isso te parabenizo pela "coragem" de embarcar na jornada proposta pelo livro, justamente para formular de maneira centrada seu pensamento acerca do mesmo.

    É óbvio que dá para se obter um panorama geral através da sinopse "oficial" e das críticas (por sinal, mais para ruins do que para boas, no panorama geral) e matérias relativas a obra, mas o que me afasta desse tipo de literatura não é o fato de ser um best-seller, a coqueluche da vez ou maré de pensamento literário, mas o simples fato de não me despertar interesse pelo gênero em si.

    Gostei da clareza do seu texto, Ana e espero que mantenha a "coragem" e conclua a trilogia, mesmo tendo se decepcionado consideravelmente com o primeiro volume. Já quanto a questão do possível machismo que a obra infere, tenho que discordar de você, pois creio eu que de forma explícita ou implícita em toda obra se encontram as ideologias, crenças, valores e atitudes do autor(a), portanto, mesmo que o foco da obra seja a (im)provável história de amor (e/ou sexo) entre Anastasia "de aço" e Christian "acizentado"(dá para ruminar significantes nos sobrenomes destas personagens, o conteúdo machista citado por você pode e deve encontrar-se como substância ou concepção da obra, logo também da autora. Todavia, estas são confabulações e debates que devem ser tomados pelas leitoras (creio eu o público-alvo da série), mas não deixa de ser alarmante o atrelamento entre "prazer/concessão" e "chibatada no clitóris". Se a intenção for simplesmente a dor como sinônimo de prazer, talvez seja melhor assistir ao filme "O Anticristo", de Lars Von Trier , pois nele pelo menos esse binômio tem razões psico-filosóficos de existirem.

    Por fim, ótimo texto, Ana. Fico no aguardo dos subsequentes.

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Um beijo pelos dedos que aqui escrevem, um Queijo pelo suspiro aqui postado.